Review de “The Target”

Episódio 02 – “The Target”
Escrito por
Steven S. DeKnight
Realizado por
Steven S. DeKnight
Actores convidados:
Amy Acker,  Reed Diamond, Miracle Laurie, entre outros.

O segundo episódio de Dollhouse, The Target, foi bastante superior ao seu antecessor e deu-nos precisamente aquilo que o piloto não tinha: uma missão da semana interessante. O episódio foi divido em três enredos: o da missão, o do agente e o flashback da Dollhouse.

Comecemos pelo senhor do FBI. Paul Ballard (Tahmoh Penikett) está presente em três cenas do episódio. Primeiro, vemos Paul a examinar o local do final da missão do episódio anterior e até se mostra perspicaz a deduzir que quem matou os sequestradores e roubou o dinheiro não fazia parte do grupo, mas seria interessante saber como ele ligou o caso à Dollhouse.

Noutro cenário, Paul pressiona Lubov (Enver Gjokaj) acerca da Dollhouse, é gozado por um colega com a mania que é engraçadinho e recebe o envelope do homem misterioso do final do primeiro episódio com a foto e o vídeo de Caroline. Também conhecemos a vizinha de Paul, Mellie (participação de Miracle Laurie), que claramente tem um fraquinho por ele. Pode parecer uma cena inútil, mas há quem diga que será uma personagem importante no futuro.

Foi um enredo secundário mediocre, mais fraco que o do primeiro episódio, e faz com que nos perguntemos por quanto tempo vai Paul ficar à deriva e sem qualquer (aparente) interacção com os membros da Dollhouse que, por seu lado, estão de olho nele. Isso leva-nos à conversa entre Laurence Dominic (participação de Reed Diamond) e Adelle DeWitt (Olivia Williams) sobre a possibilidade de matar Ballard que nos faz pensar que tipo de poderes tem a Dollhouse, de modo a ponderar a morte de um agente do FBI.

Passemos para outra linha de enredo que nos é apresentada em flashback, na altura em que Boyd Langton (Harry Lennix) começou a trabalhar para a Dollhouse, mais concretamente três meses antes dos acontecimentos que presenciamos. Os flashes apresentam-nos Alpha, um Active que se revoltou contra a Dollhouse e usou as habilidades das suas antigas personalidades para escapar. Esta revelação revela todo o tipo de questões. Por exemplo: como é Alpha? Ele é bom ou mau? Podemos argumentar que ele só matou porque estava em risco de vida e queria fugir, mas então porque é que ele matou os outros Actives? E, mais importante ainda, porque é que ele não matou Echo (Eliza Dushku)? Agora que conhecemos Alpha, será pertinente supor que Alpha é o homem que vimos no final do episódio anterior? O sangue nas vítimas parece indicar que sim e mesmo a nudez do personagem.

E é precisamente por causa de Alpha, que matou o antigo protector de Echo, que vemos o passado de Boyd. Vemos-lo a juntar-se à Dollhouse, numa animada conversa com Topher e compreendemos a sua relação com Echo, que ao início não era muito pacífica, mas que evolui com o tempo, assim como a empatia de Boyd para com ela. Achei realmente interessante o processo de união entre um Active e o seu Handler (protector). No entanto, existe uma coisa que não fica bem clara: se Langton tem óbvios problemas éticos em relação ao trabalho da Dollhouse porque é que se juntou a eles? Mas outra coisa também ficou clara neste par de episódios, se ele tivesse de escolher, a sua lealdade cairia rapidamente para o lado de Echo. E é um acontecimento muito provável no futuro.

Mudemos agora a nossa atenção para a missão da semana. Devo dizer que foi um grande passo em frente em relação à missão da semana passada. A verdade é que a minha visualização foi contaminada com os abundantes spoiles que vagueiam pela net, mas mesmo assim gostei bastante e os twists foram bem engraçados. Existem três situações que são importantes de mencionar:

1) Grande Boyd! Dois tiros na perna do gajo sem pensar duas vezes!

2) Adorei Echo neste episódio. Esteve linda, forte, a cena da floresta entre ela e o Boyd foi tão bem feita que deu para sentir a emoção e o confronto final foi lindo. O facto de Echo lembrar-se cada vez mais de acontecimentos anteriores é interessantíssimo. Irá ela ficar como Alpha? Estará em perigo na Dollhouse? Irão as outras personalidades afectar a personalidade da Caroline? É bom não esquecer que cinco anos depois ela será libertada, isto é, se não acontecer outra situação como aquela provocada pelo Alpha. A cena entre ela e o Dominic foi excelente, com o gesto no final a ser totalmente revelador.

3) Quem é que contratou o psicopata para matar Echo? E porquê? Neste momento, a única resposta com sentido seria Alpha. Mas porque é que ele iria deixá-la viver na Dollhouse e depois tentar matá-la? E, esquecendo a pergunta do quem, porque raio é que alguém iria contratar um psicopata para matar Echo e ainda por cima deixá-lo fazer desporto e dormir com ela antes disso? Estaria o psicopata a aproveitar-se do seu disfarce? As pontas não se ligam muito bem. E, exceptuando Alpha, quem é que quereria matar Echo? A única resposta que me vem à cabeça é mesmo alguém dentro da Dollhouse que a considere um risco, como Dominic. Ele podia ter preparado tudo visto que foi ele que investigou o cliente e, se o fez, o psicopata nunca foi contratado por ninguém e não passa de um vulgar psicopata que gosta de caçar raparigas nos bosques (estranho hobbie). A única falha nesta improvável teoria é o assassínio do polícia disfarçado indicar Alpha. Mas pode não ter sido Alpha, pode ter sido outro Active sob as ordens de Dominic.

Um assunto que evitei falar na review anterior, porque não me queria precipitar, foi a capacidade de Eliza Dusku para protagonizar a série. Devo dizer que nunca gostei tanto de Dushku como da Sara Michelle Gellar, do David Boreanaz ou do Nathan Fillion. Simplesmente não sinto a mesma empatia com ela, mas não sei se hei-de culpar a actriz ou a personagem. A verdade é que ela não é má actriz, ela faz bem o papel de Echo quando está em branco, faz bem o papel de Caroline e as suas personalidades não foram nada má representadas, mas ainda me pergunto se ela terá a flexibilidade suficiente para uma papel tão grande como este. Quando aos outros actores do elenco destaco Olivia Williams que está perfeita no papel de Adelle. Reed Diamond não está mal, mas já o vi fazer bem melhor noutras séries. Tahmoh Penikett ainda tem muito que provar, porque a sua personagem não me gerou grande empatia até agora, não sei se por causa do argumento ou se do actor, mas é um facto. Talvez seja porque ele anda sempre chateado. Quanto aos outros ainda é cedo para dizer alguma coisa, mas aviso já que não suporto o Topher, ele consegue transformar linhas à lá Whedon em frases totalmente sem graça. Por favor Joss, usa o comic relief noutro sítio!

Numa nota final, acho que Steven S. DeKnight fez um trabalho muito bom, tanto na construção do episódio, como na sua realização. Gostei da missão e do enredo do flashback, mas acho que Paul Ballard ficou um pouco atrás neste episódio. Achei o episódio muito bom e se o visse por acaso na televisão diria que a série é excelente, mas tendo em conta que este é o segundo episódio de uma série chamada Dollhouse sente-se que a série ainda não encontrou o tom que precisa para contar a história. The Target não convence como segundo episódio. Nota-se que estes enredos, ou pelo menos aqueles ligados a Alpha, não foram convenientemente introduzidos na série. O problema pode vir a ser resolvido no futuro, mas gostaria de ter visto episódios iniciais mais coerentes e com uma menor sensação de terem sido alterados à pressão para caber naquele lugar exigido pela Fox. Fora isso, foi um óptimo episódio que levanta imensas questões e nos faz pensar nas imensas possibilidades que este conceito cria, assim como no superior interesse da mitologia em relação à missão da semana. Faz-nos reflectir sobre o que aconteceria se a Fox não exigisse episódios standalone e deixasse Whedon fazer as coisas à sua maneira.

Uma resposta a Review de “The Target”

  1. Cláudia diz:

    Este episódio foi lindo. Adorei completamente e não percebo porque criticam tanto a actriz, que faz um trabalho muito bom.

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