Review de “Gray Hour”

Episódio 04 – “Gray Hour”
Escrito por Sarah Fain e Elizabeth Craft
Realizado por Rod Hardy
Actores convidados: Reed Diamond, Liza Lapira, entre outros…

O episódio da semana chama-se Gray Hour e posso adiantar que gostei bastante do episódio. Ele é constituído por três enredos, mas todos eles são muito bem interligados, o que favorece o episódio como um todo. Os três enredos são os do costume: o do agente do FBI que anda à procura da Dollhouse, o da Dollhouse em si e o da missão da semana.

Comecemos pelo simpático Paul Ballard (Tahmoh Penikett), que já não é tão simpático neste episódio. Tamoh Penniket não é mau actor. E provou isso. Nas duas cenas em que apareceu foi convincente e roubou a cena por completo. No entanto, a verdade é que todos estes enredos que Ballard está a ter desde o primeiro episódio são pequenos e um tanto ou quanto inúteis. Umas vezes melhores, outras vezes piores, mas inúteis. E aqueles realmente interessantes, que ligam a investigação do senhor ao enredo principal, podiam ser muito bem introduzidos quando este personagem fosse mesmo necessário e realmente acrescentasse algo à acção. Por agora ele é apenas uma ponta solta com pouco mistério à espera de ser atada. Neste episódio, a única coisa que fez foi cortar o ritmo. Nota-se perfeitamente a obrigação que os escritores sentem ao colocá-lo na acção, apenas porque no esboço inicial este era um personagem fulcral.

Uma coisa interessante que surgiu deste enredo foi a pequena referência feita por DeWitt. Ela disse, num telefonema misterioso para alguém misterioso, que Paul precisa de encerrar o assunto e que eles são peritos em dar às pessoas aquilo que elas precisam. Que planos é que a senhora terá?

A missão da semana começou muito bem. É simplesmente impossível não adorar todos os twists que a história dá. Inicialmente, Echo (Eliza Dushku) parece estar a fazer de prostituta e a animar uma festa, mas tudo não passa de um esquema para entrar numa zona de segurança que dará acesso a um armazém de arte roubada. Esta primeira parte foi incrível. Teve ritmo, teve intensidade e foi tudo menos previsível. Arranque fenomenal.

No entanto, e como acontece sempre, as coisas não correm pelo melhor. Um dos membros da equipa de Echo (participação de Mark Ivanir) decidiu que merecia uma percentagem de lucro maior e fugiu com a valiosa obra de arte. E como se isso já não fosse mau o suficiente, Alpha volta a fazer das suas e literalmente limpa Echo deixando-a em tabula rasa. A rapidez com que tudo acontece ainda dá mais valor à acção. Echo vai de prostituta, a assaltante profissional, a membro de equipa traída e ao estado de tabula rasa num instante. O esquema funciona, o espectador agradece.

Com o intuito de salvar Echo, a Dollhouse faz o esperado: programa Sierra (Dichen Lachman). O problema é que o tempo é escasso. Assim, em vez de entrar por lá a dentro Sierra dá instruções a Echo levando-me a perguntar: porque raio é que Sierra está a dar instruções a um activo em tabula rasa quando tem um membro da equipa saudável mesmo ao lado? Mas deixemos esta passar, porque o episódio está a ser bastante bom.

Este enredo da missão foi óptimo a explorar o tema da tabula rasa. Como é um activo em tabula rasa? Vimos que, mesmo sem se lembrar de nada substancial, Echo tem algumas capacidades próprias e uma certa consciência, por muito básica que esta seja. A prova disso é que ela foi capaz de seguir as instruções de Sierra e quando teve de tomar uma decisão, neutralizou o tipo mais perigoso dos ladrões (participação de Anson Mount), quando estavam quase todos a ser apanhados, e consegue safar-se com o outro aleijadinho (participação de Toby Leonard Moore).

Não pude deixar de sentir uma certa desilusão pela forma como a Dollhouse desistiu de Echo. A situação era difícil, é certo, mas não podiam fazer alguma coisa para salvar o seu activo mais precioso? Tinham mesmo de a “eliminar” se tudo desse para o torto? O que lhes valeu foi Boyd (Harry Lennix) que não quis abandonar a sua menina.

Cada vez gosto mais de Boyd. O tipo simplesmente tem fibra! A cena dele com o perito em antiguidades foi um dos pontos altos do episódio. Ele é directo, não pensa duas vezes e não é cruel. A forma como ele ameaça, sem ser cruel, mas não mostrando um pingo de piedade é fabulosa. Ele controla a situação. O tiro na perna do tipo foi também um grande bónus. É fácil de simpatizar com ele. E quando a situação aperta lá está ele para ajudar.

Uma das regalias que este episódio nos deu foi o maior conhecimento de Echo que é, quem diria, um comic relief e tanto! Foi delicioso vê-la a dizer coisas totalmente sem nexo. “Vitas: Remember, Bonny and Clyde? / Echo: Are they here too?“.

Para responder à pergunta que muitos andam a fazer, sobre a missão que apereceu logo no início do episódio, em que Echo é uma parteira. Muitos pensam que aquela cena saiu do nada e não teve seguimento. A verdade é que ela foi mencionada mais tarde. Quando Echo olha para um quadro onde está uma montanha e diz “When I’m there my name is something else.“. Ou seja, aquela cena foi feita com o intuito de realçar que Echo lembra-se vagamente de algumas coisas.

Resumindo, esta missão da semana foi boa, orginal e deu-nos a conhecer melhor a personagem principal: Echo, que apesar de ter problemas óbvios como personagem, tem alguns pontos cativantes. O ritmo incial da missão foi admirável e foi uma pena a enorme quebra que teve quando Echo ficou em tabula rasa. O intervalo de tempo entre a limpeza de Echo e a polícia a abrir o cofre foi enorme e prejudicou imenso o episódio.

Na Dollhouse, o que aconteceu esteve quase sempre relacionado com a missão, focando a reacção que os elementos da Dollhouse tiveram aos acontecimentos que estavam a decorrer no tal armazém de arte. Descobrimos que Adelle DeWitt (Olivia Williams) responde perante alguém e recebemos umas luzes acerca da memória dos activos. Topher realça que Echo, Sierra e Victor (Enver Gjokaj) comem todos juntos não porque se lembram uns dos outros, mas devido a um instinto nato que os força a agrupar. Isso até pode ser verdade, mas será que nenhum deles tem a mais pequena recordação? Não haverá nenhum sentimento de dejá-vu?

Topher (Fran Kranz) teve algum tempo de antena neste episódio e tornou possível uma certa empatia com uma outrora irritante personagem. Para isso muito contribuiu a nova personagem, Ivy (participação de Liza Lapira), que teve uma grande química com Topher no ecrã. Apesar de tudo, ainda se sentiu que a personagem não tem um diálogo, ou uma interpretação, muito natural, e sente-se que algumas linhas são bastante forçadas.

Para concluir, Gray Hour foi um episódio bom e consolidou Dollhouse como série. Ainda existem algumas coisas que não fluem naturalmente, o que é raro numa série de Whedon. Teve altos e baixos, mas foi muito agradável dando-nos 50 minutos bem passados. O argumento, escrito por Sarah Fain e Elizabeth Craft (participaram em Angel e criaram Women’s Murder Club), foi bom e teve algumas linhas de génio e a realização por Rod Hardy (séries Leverage e Battlestar Galactica e filme December Boys), estreante no whedoneverse, não ficou atrás. O senhor até nos brindou com uma cena final da qual não me esquecerei tão cedo…

Uma resposta a Review de “Gray Hour”

  1. Cláudia diz:

    Admito que este é um dos meus menos favoritos da série. Adorei as personagens, especialmente a Echo, Sierra e Boyd mas a missão principal não me cativou tanto como nos outros episódios.
    Bom apenas.

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