Review de “True Believer”

Episódio 05 – “True Believer”
Escrito por Tim Minear
Realizado por Allan Kroeker
Actores convidados: Amy Acker, Reed Diamond, Miracle Laurie, Brian Bloom, Mark Totty, entre outros.

True Believer é o novo episódio de Dollhouse e, como se pode deduzir pelo título, o assunto da fé, em forma de um culto religioso, ocupou o enredo principal. O episódio foi bom, mas podia ter sido muito melhor. Sinceramente estava à espera de muito mais de um episódio com este tema escrito por Tim Minear, escritor de alguns dos melhores episódios do Whedonverse. Em vez disso, tivemos um episódio que, em vez de excelente, foi apenas bom, teve mais inconsistências do que aquelas que eu posso contar e abordou o assunto da forma mais cliché possível. Dividido em três enredos, comecemos desta vez pelo da missão da semana.

Na missão da semana, Echo (Eliza Dushku) é usada para se infiltrar num culto religioso. Como sempre, ela não faz ideia da sua missão. Enquanto isso, Boyd (Harry Lennix) está a trabalhar com a ATF, agência governamental com a ideia de saber o que está por detrás do culto.

A abordagem ao culto foi tão cliché que parecia que já sabia o que ia acontecer. Temos o chefe violento, os cordeirinhos que o seguem, as armas a fazer feitio e a tentativa de suícidio colectivo no final. Mas nem os clichés conseguiram dar um pouco de consistência a este enredo.

Primeiro temos um chefe, Jonas Sparrow (participação de Brian Bloom) que não se consegue compreender bem. Ele tem fé? Será que acredita mesmo naquilo que diz? Às vezes parece que sim, outras vezes parece que não. Normalmente os chefes destes cultos costumam usar a fé como forma de manipular os súbditos, mas este às vezes parecia mesmo acreditar. Se não acreditasse porque deixaria Echo entrar? Ou porque tentaria queimar a cabana enquanto estava lá dentro?

Depois temos as armas. Armas no culto? Tudo bem. Só não se percebeu bem a função que elas tinham. Pareceu mais uma desculpa para a ATF poder avançar. Ele estava a usar o culto como um disfarce para contrabando de armas? Então não tinha fé. Se não tinha fé, porque é que deixou Echo entrar? Ou ele tinha mesmo fé e as armas eram para proteger o seu puro jardim? Se era para o defender, porque é que precisava de tantas armas se quando chegou a altura só ele e mais um é que sabiam usá-las? Ainda por cima, a seguir tenta realizar um suicídio colectivo. Para quê? Pensava que iam sobreviver. Suponhamos que sim, que ficavam todos bem, e depois o quê? É tudo muito pouco coerente.

E como se o culto não bastasse, temos uma agência governamental, a ATF, do menos credível que pode haver. Primeiro encontram as armas e querem lá entrar. Tudo bem. Mas por que raio é que não deixam o Boyd extrair a Echo? Era esse o acordo. Ou eles pensavam que simplesmente entravam lá e punham em risco uma das pessoas que faz parte da sua operação? Não deviam ter isto tudo um bocadinho melhor combinado? O Angente Lilly (participação de Mark Totty) enervou-me durante o episódio todo. Como é que alguém assim pode dirigir uma operação destas? Impulsivo, corrompido e detestável?

Quando Boyd vê que está a lidar com um bando de idiotas, investiga um bocadinho e vê que quem escreveu a nota “Salvem-me!” que deu origem ao mandato, foi o Agente Lilly que perante a propostas de Boyd agiu novamente como um grande estúpido e tentou matá-lo. Huh?!? Parabéns Lilly, ganhaste o primeiro Globo da Idiotice da noite!

Boyd, a única personagem minimamente inteligente nesta trapalhada toda, pede a Dominic (Reed Diamond) para extrair a Echo que se encontra em perigo. A resposta é não. Tudo bem, já sabemos que o Dominic não gosta da Echo e agora sabemos que a quer morta. Até aqui tudo bem. Não fosse Dominic aparecer lá e salvar Echo de uma morte certa às mãos de Sparrow para a seguir deixá-la a morrer de inalação de fumo. Parabéns Dominic, ganhaste o segundo Globo da Idiotice!

Echo, que foi programada para ser uma rapariga de fé, desafia o chefe a toda a força, saindo pela vigésima vez daquilo que foi programada para fazer. Boa Topher, mais uma vez não fizeste as coisas em condições! Eles deviam mesmo repensar o sistema ou actualizar os computadores lá na Dollhouse…

No fim acaba tudo às mil maravilhas. Boyd salva Echo. Dominic falha. O Agente Lilly é despedido. E todas as inconsistências desta promissora missão são esquecidas. E claro, Echo finalmente não precisou que a Sierra a viesse salvar!

Neste episódio originou-se uma certa tensão entre Adelle (Olivia Williams) e Dominic. E embora saibamos as intenções dos dois, será que vai haver um confronto brevemente? Ele tem razão no que diz, Echo é cada vez mais um perigo para a Dollhouse, mas Adelle não é burra e ele não devia ter agido nas costas dela. Se o confronto realmente acontecer, o meu dinheiro vai para a DeWitt.

Passemos agora ao enredo de Paul Ballard (Tahmoh Penikett). Finalmente o nosso agente começa a aproximar-se de Echo, com a ajuda do famoso anónimo. Foi um bom enredo e Tamoh representou bastante bem, com umas piadas pelo meio. Mellie (participação de Miracle Laurie) aparece mais uma vez a fazer favores a Paul (grande ingrato!) e mostra novamente os seus dotes culinários. Aquela senhora do FBI também encaixou bem e teve alguns momentos engraçados com Paul.

Já na Dollhouse, o Topher (Fran Kranz) e a Dr. Saunders (participação de Amy Acker) investigam as erecções de Victor (Enver Gjokaj). O comic relief da semana foi engraçado e parece que vai ter alguns desenvolvimentos nos episódios que se seguem. Excelente interpretação de Amy Acker que está muito mais à vontade com diálogo humorístico à Joss Whedon do que Fran Kranz.

Para concluir, tivemos um episódio bom, apesar das enormíssimas inconsistências que o enredo principal teve. Dois enredos secundários bons e fabulosas interpretações de Eliza Dushku (quem dizia que a menina é má actriz tem de ver este episódio!), Harry Lennix e Amy Acker contribuíram para a qualidade do episódio. A realização de Allan Kroeker (Firefly) foi boa e cumpriu os objectivos. O argumento de Tim Minear, apesar de ter alguns traços de génio, foi uma desgraça. No entanto, foi um episódio na linha dos antecessores. Interessante quanto baste e até bastante bom se conseguirmos fechar os olhos a certas coisas. Mesmo assim, e também na linha dos antecessores, foi aborrecido, um bocado previsível e continua a cometer o maior erro de todos: as quebras de ritmo e o desiquilibrio, não conseguindo ser consistente como um todo.

Numa reflexão sobre os cinco episódios de Dollhouse até agora, tenho de confessar que estou bastante desiludido. Nenhum dos episódios foi mau, mas também nenhum deles foi excepcionalmente bom e a maioria foi muito aborrecido. Existe uma notória dificuldade em conciliar a missão da semana com o que acontece na Dollhouse e sentimos que ainda falta qualquer coisa que nos permita dizer: “Eu gosto mesmo desta série!”. É sem dúvida o pior trabalho de Whedon até à data. Como fã, posso dizer que sinto imensa falta daquele diálogo tão característico que havia em Buffy e Firefly. Existe um imenso buzz positivo à volta do próximo episódio, Man On The Street. Esperemos realmente que seja o ponto de viragem e que a série realmente mostre todo o seu potencial!

Uma resposta a Review de “True Believer”

  1. Cláudia diz:

    Gosto bastante deste porque em vez de termos o cliche do líder da seita ser ruim, temos o contrário. Aqui ele só quer salvar estas pessoas do mundo. Ele admite que é corrupto e ruim, mas não quer que o mesmo aconteça aos outros.

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