Review de “Man On The Street”

Episódio 06 – “Man On The Street”
Escrito por Joss Whedon
Realizado por David Straiton
Actores convidados: Amy Acker, Reed Diamond, Miracle Laurie, Patton Oswalt, Kevin Kilner, Mark Sheppard, Liza Lapira, entre outros.

Man On The Street é, sem dúvida alguma, o melhor episódio de Dollhouse até à data. Depois de cinco episódios com qualidade duvidosa, este sexto episódio é uma lufada de ar fresco. Os cinco anteriores não podem nem devem ser apelidados de maus, mas a verdade é que lhes faltava qualquer coisa que uma série deve ter: empatia. Empatia pela história e empatia pelos personagens.

Por si só, Man On The Street é um excelente episódio, mas não é perfeito. Este início de temporada de Dollhouse foi desequilibrado, para dizer o mínimo. Existe uma enorme quantidade de informação e desenvolvimento do enredo principal neste episódio. Assim, eu pergunto-me: não seria melhor ir fazendo isso desde o início? Usar as missões como enredo secundário e ir desenvolvendo o arco principal um pouco durante todos os episódios? A pergunta fica no ar (para ser respondida por vocês nos comentários) e passemos à review propriamente dita.

“Forget morality. Imagine it’s true. Imagine this technology being used. Now imagine it being used on you. Everything you believe, gone. Everyone you love, strangers. Maybe enemies. Every part of you that makes you more than a walking cluster of neurons dissolved at someone else’s whim. If that technology exists, it’ll be used. It’ll be abused. It’ll be global. And we will be over. As a species. We will cease to matter. I don’t know, maybe we should.”

O episódio começa com uma reportagem sobre o “mito” da Dollhouse. O entrevistador fala com algumas pessoas de vários escalões sócio-económicos. Esta perspectiva, que dá o nome ao episódio, coloca-o a outro nível. Uma coisa pela qual nunca perdoei o Sr. Whedon, embora muito provavelmente a culpa nem tenha sido dele, foi a abordagem com que ele fez Dollhouse. De início tínhamos uma série estilo noir com uma premissa interessantíssima de uma moralidade duvidosa e ambígua. Depois acabámos por ter um caso da semana com a Eliza a mostrar as suas habilidades, e às vezes um pouco mais…

A maioria dos entrevistados não acreditam na Dollhouse e, os que acreditam, não são exactamente os mais iluminados. Na temática do episódio, por um lado, temos a perspectiva do cliente, a fantasia, que é o tema principal do episódio. Mesmo que consideremos esta parte não moralmente censurável (e não estou a dizer que o devamos fazer), temos o outro lado: o Active, o Doll, o escravo. Que consequências esta tecnologia, com o poder de controlar o mundo, terá no Active? E se eles são mesmo voluntários, o que é duvidoso, quão informados estarão eles sobre o que vão fazer, sobre os riscos e, sobretudo, sobre as consequências que advirão desta decisão?

Esta perspectiva fala, finalmente, sobre a premissa da série. Sobre a moralidade, ou a falta dela. Sobre as possibilidades. Se tivesses dinheiro, o que farias? E na possibilidade dessa tecnologia cair nas mãos erradas, se é que já não está, que poder terão essas pessoas? Foi uma reportagem muito bem elaborada, muito bem intercalada e um excelente extra para um já de si excelente episódio. E claro, com o habitual traço de comédia de Joss Whedon, com algumas entrevistas que são, no mínimo, hilariantes.

O enredo secundário deste episódio girou à volta de Sierra (Dichen Lachman) e posso dizer com confiança que foi o melhor enredo secundário que a série teve até agora. Por um lado, é um enredo que se aguentou muito bem por si só, por outro lado, foi um enredo que no fim foi magistralmente ligado ao enredo principal.

Quando Sierra se encontra visivelmente perturbada, a Dra. Saunders (participação de Amy Acker) desconfia que alguma coisa se passa. Depois de analisada, descobre-se que Sierra está a ter relações sexuais. Isto, junto com a recente infelicidade leva-nos a concluir que são contra a sua vontade. A questão agora é: quem é que anda a violar Sierra? As suspeitas, baseadas nos desenvolvimentos do episódio anterior, voltam-se todas para Victor (Enver Gjokaj). O enredo da “reacção masculina” de Victor no episódio anterior foi extremamente útil neste mistério. Como espectador, desconfiava de Victor, mas também tinha a sensação que alguma coisa não estava a bater certo. E é aqui que entra um dos twists habituais de Joss…

Quem violou Sierra, foi o seu handler e não Victor. Posso afirmar que fiquei muito surpreendido, não porque fosse improvável, mas porque nem sequer me tinha passado pela cabeça. Com o enredo principal a andar a cem à hora é difícil arranjar muito tempo para pensar no secundário. Boyd (Harry Lennix) foi, mais uma vez, muito últil. Mostrou que não depende da Dollhouse, agindo sozinho, e que também consegue fazer as suas artimanhas. Para culminar este mistério, nada melhor que uma murraça de Boyd lançando Hearn (participação de Kevin Kilner) por um mar de vidros estilhaçados. Lindo.

Paul Ballard (Tahmoh Penikett) finalmente descobre uma pista que liga a Dollhouse a um cliente de nome Joel Mynor (participação de Patton Oswalt). E qual é o Active que ele encontra de serviço? Echo (Eliza Dushku). Tenho de realçar que toda esta parte foi muito bem feita. Paul entra na casa à força, fala com Echo e Joel num diálogo tão engraçado como surreal e entra numa luta com os guarda-costas do cliente, que pouco fica atrás à luta do episódio da qual falaremos mais à frente. A interpretação de Eliza Dushku está fantástica, ela parece mesmo surpreendida e continua a insistir que o marido comprou a casa com o dinheiro da pornografia, num excelente registo cómico como nunca pensei que ela pudesse fazer. Entretanto, Boyd retira Echo de toda aquela confusão e, com os guardas no chão, Paul tem uma amigável conversa com Joel Mynor.

“The Dollhouse? Uh, it’s pink and it opens up and there’s teeny furniture, and you put the boy doll on top of the girl doll and we learn about urges.”

O diálogo entre Paul e Joel é muito bom. E isso tem ainda mais valor tendo em conta que nem é nada pequeno. O diálogo é exactamente aquele a que Joss Whedon nos habituou, ou anda lá muito perto, e temos duas magníficas interpretações de Patton Oswalt e Tahmoh Penikett. É neste diálogo que Joel nos conta a sua trágica história e é aqui que tudo começa a ficar turvo outra vez. Nós sabemos que o que ele está a fazer é errado, mas não conseguimos deixar de simpatizar com o personagem sentindo pena da sua situação. Pelos menos até Ballard dizer “I’m sorry for your loss, Mr. Mynor. It doesn’t make you anything other that a predator.”.

Entretanto, a relação entre Mellie (participação de Miracle Laurie) e Ballard finalmente evolui. Apesar de achar um bocado estranho visto que há um episódio atrás ele nem sequer lhe liga e, de repente, vai para a cama com ela, tanto os actores como o diálogo dão a sensação que tudo acontece com naturalidade. E finalmente percebi o que é que Joss viu em Miracle Laurie. Se o papel de vizinha preocupada não fazia jus à actriz, este episódio mudou tudo. A menina convenceu-me completamente.

Na Dollhouse, quando Adelle (Olivia Williams) sabe que Ballard interrompeu uma das suas missões manda Echo “tratar do assunto”. Não sem antes mandar Hearn matar Mellie, visto ela saber demais sobre a Dollhouse. E se eu tinha imensas suspeitas em que achava que Mellie era um Active, todas elas se desvaneceram neste exacto momento.

Echo vai atrás de Paul e é nesta cena que acontece a melhor luta que eu vi em muito, muito tempo. A coreografia é excelente, o ritmo alucinante, queremos respirar, mas eles não param. Simplesmente arrasador. Ainda não me saiu da cabeça a imagem de Echo a mandar o enorme Paul abaixo com as suas pernas a baterem sonoramente no carro. A luta acaba e, graças a um não muito honesto truque, Echo leva a melhor. E é agora que sabemos a sua missão. Echo quer alvejar um polícia com a arma de Paul, fazendo com que ele seja expulso do FBI.

Echo não perde tempo e fala com Ballard: Existe um espião na Dollhouse que te mandou esta mensagem através de mim. Existem à volta de vinte Dollhouse’s espalhadas pelo mundo e tu não vais conseguir pará-las sozinho. A fantasia é o negócio da Dollhouse, mas não o seu objectivo. E de repente, através destas divulgações, tudo ganha proporções inimagináveis. Echo também avisa Ballard que a Dollhouse não hesitaria em matar as pessoas mais próximas a ele. Paul grita “Mellie!” e depois sai disparado.

Ao som de uma música clássica que assenta na cena que nem uma luva, Mellie vai à porta a pensar que Paul já chegou. Não é Paul, é Hearn. E começa outra fabulosa cena de acção. Paul corre até casa, tentando telefonar a Mellie para a avisar. A música continua. Ouvimos o telefone a tocar no apartamento e pensamos “Tarde de mais. Whedon voltou a fazer das suas e a personagem mais querida e indefesa morre às mãos daquele idiota”. Mas não é Ballard ao telefone, é Adelle que rapidamente diz uma frase em código: “There are three flowers in a vase. The third flower… is green.” (excelente montagem de David Straiton). Mellie muda completamente e implacavelmente acaba com o submisso Hearn ainda atordoado com a surpresa. Mellie volta ao normal e Paul chega a casa abraçando-se a ela ainda a chorar. Mellie é um Active.

O clímax do episódio não podia ter sido melhor. A complexidade do tema em questão deixa-nos mais uma vez pensativos. Pobre Mellie, é um Active e não faz ideia. Mas ela é feliz e está apaixonada. Será a sua felicidade real? Quem será a verdadeira Mellie? A revelação, que podia ser muito previsível para os mais desconfiados, ganha muito mais força porque há momentos atrás Adelle nos tinha convencido de que ela era apenas uma cidadã normal. A cena de luta foi mais uma das razões pelas quais me admirei com a actriz. Ela esteve fantástica. Mesmo quando estava em inferioridade, convenceu. Eu estava literalmente colado ao ecrã.

Dominic – “You played a good hand, ma’am”
DeWitt – “I played a very bad hand very well. There is a distinction.”

No final do episódio, os enredos chegam à sua conclusão mais óbvia. Ballard é suspenso, devido às acções maquiavélicas de DeWitt, Victor confraterniza com uma Sierra sem memórias do que lhe aconteceu, Echo volta para acabar a sua missão com Joel e tudo na Dollhouse volta ao normal. Ou pelo menos assim parece, mas com um escritor destes, nunca se sabe.

Lembram-se de eu dizer que Dominic (Reed Diamond) iria eventualmente virar-se contra DeWitt? Não me parece que isso irá acontecer num futuro próximo. Noutra pequena nota, a história do espião podia facilmente levar-nos até Ivy (Liza Lapira), mas é tão óbvio que provavelmente estará errado.

Man On The Street é tudo o que tinha sido prometido. Um excelente episódio que desenvolve a série como nenhum outro o tinha feito. O ritmo foi alucinante, as interpretações óptimas, as cenas de acção fora de série, diálogo à Whedon da melhor qualidade, bons enredos e twists que cheguem para nos pôr a cabeça a andar à roda. Levanta perguntas mais do que suficientes. A revelação de Mellie ser um Active leva-nos perguntar se qualquer um de nós não poderia também sê-lo e tudo o que Echo disse a Ballard levanta outro mar de questões: Quem é que manda na Dollhouse? Quem é o espião infiltrado na Dollhouse e estará ele a trabalhar com Alpha? Qual é o objectivo das Dollhouses que as fantasias estão a financiar?

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3 respostas a Review de “Man On The Street”

  1. Buffy_fan diz:

    RIcardo, nao das nota ao ep??? lol gostava de ver a tua opinião…que não deve ser mt ma tendo em conta a review:P

  2. Ups… Tens toda a razão! Esqueci-me completamente. A nota é um 9 /10.

  3. Cláudia diz:

    Isto é espectacular. O episódio inteiro é fenomenal.

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