Review de “Needs”

Episódio 08 – “Needs”
Escrito por Tracy Bellomo
Realizado por Félix Enríquez Alcalá
Actores convidados: Reed Diamond, Amy Acker, Miracle Laurie, Skyler Stone, Angel Desai, entre outros.

Se me pedissem para descrever o novo episódio de Dollhouse, Needs, a palavra que usaria seria óptimo. E ainda dizia mais, devia ser assim que todos os episódios deviam ser feitos. Needs é o exemplo do que um episódio “normal” de Dollhouse devia ser porque é sólido, muitíssimo bem estruturado, com excelente diálogo, interpretações fortes, moralmente provocador e com toques de génio. Embora, na minha opinião, não chegue à genialidade de Man On The Street, mostra uma série que acabou de atingir a maturidade.

Mais uma vez Paul Ballard (Tahmoh Penikett) é o protagonista do enredo secundário. O episódio começa com Echo (Eliza Dushku) a entrar pela porta do apartamento de Paul. Ele está semi-nu e ela parece um deusa noir. Ela tem pouco tempo e uma mensagem para entregar. Ele responde sarcástico “Não lutamos desta vez?”, ameaça prendê-la e pergunta quem a mandou ali. Ela diz apenas que ele tem uma coisa que ela e quem a mandou precisam. Mas acrescenta “Eu também tenho uma coisa que tu precisas”. Ele pergunta o quê e ela beija-o. Atrapalhado responde-lhe “Eu não sou um cliente, eu não preciso disso”, mas ela diz-lhe que ele sabe que precisa e ainda diz mais: “Salva-me Paul”. Se dúvidas havia relação ao possível envolvimento romântico entre eles ou mesmo à falta de química dos actores, ambas foram dissipadas neste momento.

Bela maneira de captar o espectador. Mellie (participação de Miracle Laurie) aparece e agora percebemos: é tudo um sonho. E acontece o momento mais surreal do episódio, engraçadíssimo. Paul diz “Eu sei que isto é confuso para todos nós”, mas não consegue parar de beijar Caroline, Mellie reclama mais uma vez e ele “Desculpa, eu tenho uma coisa que ela precisa”. Há qualquer coisa na forma como Tamoh Penniket diz estas palavras que torna esta situação desconfortável numa situação completamente surreal. Até agora, nunca me tinha apercebido quão bom actor Tamoh é. Caroline morre e Mellie atira-lhe à cara que ele deixou-os magoá-la. Ele nega e sentimos a culpa que ele mostra em relação a ela que lhe pergunta como é que eles sabiam? Paul acorda e provavelmente pergunta a si próprio a mesma coisa: como é que eles sabiam onde ele estava, que Mellie estava com ele e a hora exacta que ele tinha saído para atacarem Mellie (ou assim parecia)?

Esta sequência é absolutamente brilhante. Dollhouse pode ter tido, e ainda tem, muitos problemas, mas não é qualquer um que nos entrega uma cena destas! O diálogo, a produção, as interpretações, tudo é perfeito e harmonioso. Esta sequência resume a vida de Paul até agora: ele não precisa da própria Caroline. Ele precisa de salvá-la. Mas ainda se sente culpado pelo que aconteceu a Mellie e sente-se ainda mais culpado por não conseguir deixar a investigação por ela. Ele está dividido entre as duas. Deseja uma, mas preocupa-se com a outra. No resto do episódio Paul encontra o dispositivo que a Dollhouse usa para o espiar, embora eles não estejam nada preocupados com isso por agora, e leva-o a Jimmy (participação de Skyler Stone), perito em hacks e outros trabalhos ilegais, que lhe diz o que ele já sabia: ele está a lidar com pessoas muito mais poderosas do que ele.

Na Dollhouse decorre uma reunião sobre os erros que têm acontecido em alguns Actives. Aliás, algumas das reclamações dos fãs assentavam nas missões dos Actives que poderiam ser feitas por qualquer um que fosse especializado (discordo em relação à maioria das missões) e que parecia haver erros em todas as missões o que coloca a Dollhouse numa posição de falta de eficácia. Este segundo ponto é perfeitamente pertinente, mas facilmente justificável porque esses erros acontecem geralmente a Echo. Mesmo assim, como Echo saiu de uma missão, Victor (Enver Gjokaj) começou a ter sensações e Sierra (Dichen Lachman) e November recuperaram memórias com o efeito do soro, foi convocada uma reunião de emergência.

Laurence: If your child starts speaking for the first time, you feel proud. If your dog does, you freak the hell out.

Na reunião, Topher (Fran Kranz) sugere uma resolução com drogas mais fortes, mas recebe uma oposição fortíssima da Dr. Claire Saunders (participação de Amy Acker). Amy Acker impecável, como sempre. O ponto alto da reunião é obviamente quando Dominic (participação de Reed Diamond) compara os Actives a animais de estimação recebendo rapidamente o desprezo da Dr. Saunders. É nesta reunião que assenta o enredo principal do episódio. Dr. Saunders tem uma ideia de como parar os erros dos Actives, deixando-os obter paz e conclusão. Assim, Topher programa os Actives com as suas personalidades originais, mas sem memórias. Essas eles vão obtendo de modo a conseguirem satisfazer as suas “necessidades” físicas e emocionais.

É na forma como eles controlam o episódio que está o valor do mesmo. Manipulam o espectador de modo a surpreenderem-no constantemente com os já habituais e cada vez melhores twists. Se ao início pensamos que o Topher fez asneira e eles recuperaram as suas personalidades originais, querendo fugir; chegamos a pensar que tudo não passa de um teste para o pessoal da Dollhouse e só no fim descobrimos toda a verdade: afinal é uma estratégia da Dr. Saunders de modo a evitar os conflitos e erros de programação.

Victor: Hey, noise? Not helping.

O episódio continua e os Actives acordam e planeiam a fuga. A conversa em que eles tentam perceber onde estão é fabulosa e vêm à calha ideias como aliens, uma experiência governamental e millionários assassinos. Mike é apanhado, provavelmente foi a estratégia que a Dollhouse usou para incitar os quatro principais a fugir. Caroline e Victor assumem o controlo e este último acaba por se revelar um excelente comic relif. Tem linhas que valem ouro. Depois, todos acabam por se separar e cada um vai à procura das suas necessidades.

November: Vai à procura da sua filha, Katie. À medida que as memórias voltam apercebe-se que a sua filha morreu, sendo essa a provável razão dela se “candidatar” à Dollhouse. Quando visita o cemitério e encontra vê o nome da filha na lápide, atinge o seu propósito, satisfaz a sua necessidade e chega à sensação de conclusão, desmaiando.

Victor: Come on! Who doesn’t want to put Alien Guy back in the box?

Victor: Continuamos sem saber muito acerca do passado de Victor. A sua necessidade é mais presente e pode, ou não, estar relacionado com a sua pessoa original. Ele quer Sierra. Essa necessidade, relacionada com Sierra em particular, pode ter sido desenvolvida na Dollhouse, mas acredito que o sentimento geral esteja relacionado com a sua vida anterior como militar que vimos no episódio anterior.

Sierra: Esta Active tem provavelmente a história mais aterradora de todos que nos faz levantar sérias questões acerca da já pouco fiável moralidade da Dollhouse. Sierra não foi voluntária. Ela foi parar à Dollhouse porque recusou envolver-se com alguém importante. Esse alguém tinha ligações à Dollhouse. E, por isso, a sua necessidade era recuperar o seu poder confrontando Nolan, o homem que a escravizou.

Dollhouse Staffer: Good morning!
We’re having banana pancakes for breakfast today.
Tango: I like pancakes.
Victor: We’re all gonna die.

Com este enredo, Joss consegue levantar dois assuntos excelentes: o amor entre Victor e Sierra e a voluntariedade dos Actives. Quanto ao primeiro, devo dizer que estou extremamente curioso. Acho o Enver um excelente actor e eles têm química. Agora será que o amor deles consegue ultrapassar aquele pequeno obstáculo que é terem constantemente a sua memória apagada e estarem presos num ilegal hotel de cinco estrelas?

Uma das razões porque muitas pessoas não gostaram de Dollhouse consiste numa coisa que Joss Whedon apelidou de “ick factor”. Esta série é moralmente cinzenta. E isso está relacionado com a empatia que a audiência tem com as personagens. O problema é que metade das personagens do elenco não têm qualquer sentido de moralidade e há outra parte não tem personalidade. Eu acho esta diferença extremamente apelativa, mas há quem não concorde.

Victor, after choking his handler unconscious: He’s very tired.

Na batalha que se aproxima, Dollhouse VS Quem-quer-derrubar-a-Dollhouse, convém não esquecer os lados. Boyd (Harry Lennix) e Dr. Claire Saunders parecem boas pessoas, mas estão claramente do lado errado enquanto Paul, por muitos defeitos que possa ter, não está. Se ainda havia quem considerava a Dollhouse algo de humanitário, a história de Sierra colocou as coisas mais claras e transformou as suspeitas em factos. E tudo aquilo por que ela está a passar, juntando a sua inocência e vulnerabilidade e aliado ao facto de estar romanticamente interessada noutro personagem a transformam na personagem mais provável de morrer até ao final da temporada.

Echo: A sua necessidade foi consistente com aquilo que já sabíamos sobre Caroline. Ela quer justiça. Sem dúvida uma decisão estúpida da parte dela, sem pensar. Como é que ela conseguiria sozinha derrotar a Dollhouse? Não conseguiu. Mas Adelle (Olivia Williams) e Topher subestimaram Caroline. Ela pode não ter conseguido salvar ninguém, nem mesmo a si própria, mas conseguiu pedir ajuda. E Paul vai a caminho. A cena de luta entre ela e a outra handler foi incrível. A única série da actualidade que tem lutas deste calibre é Chuck.

Um defeito bastante comum que põem a Dollhouse é sobre a personagem e actriz principais. Eliza Dushku pode não ser brilhante, nem ser tão boa como Sarah Michelle Gellar ou Nathan Fillion, mas está a evoluir a olhos vistos. Nas missões faz um bom trabalho e como Active também. Há quem diga que não, mas a diferença entre Caroline-a-fazer-de-Echo e Echo foi claríssima e embora também já esteja farto de a ouvir dizer “Did I fall asleep?” a verdade é que ela tem uma boa interpretação.

Quanto à empatia sentida por Caroline, ou a falta dela, acho que andam todos a ser muito duros. Até agora só vimos a sua faceta activista, mas houve dois anos da sua vida depois disso sobre os quais não sabemos nada. Para além disso, só a vemos em situações complicadas. Ela estava a tentar bater a Dollhouse. Não me parece que esse seja o momento certo para mostrar vulnerabilidade.

Needs foi um óptimo episódio. Tracy Bellomo (Smallville) fez um excelente trabalho no diálogo e Félix Enríquez Alcalá também esteve muito bem na realização. A parte em que os Actives são libertados é visualmente estonteante. Um episódio sólido que consolida a premissa da série. Estou cada vez mais interessado em Dollhouse. Acho que agora posso dizer que estou realmente convencido e mal posso esperar por saber o que vai acontecer a seguir.

Uma resposta a Review de “Needs”

  1. Cláudia diz:

    Muito bom, um dos meus favoritos. Mas eu interpreto o sonho de Paul um pouco diferente de ti. É verdade que se sente dividido entre as duas, mas o seu pensamento está sempre concentrado na Caroline. Ele diz que quer derrubar a Dollhouse, mas está claramente obcecado pela Caroline e a Mellie apercebe-se que o Paul só pensa nela (Caroline) e que a está a usar(Mellie). A maioria das pessoas dizem que o Paul é um dos bons, mas eu não creio nisso.

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